Thursday, March 08, 2007

 

ACREDITANDO VENCEM-SE AS ETAPAS!

POR Augusto Macedo Pinto

A realização da Conferência Internacional, Transporte Marítimo, Portos e Globalização das Economias que irá decorrer em Lisboa nos próximos dias 12, 13 e 14 de Março vai contar também com a participação do Ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Dr. António Munguambe, com representantes dos vários operadores portuários, nomeadamente de Maputo, Beira e Nacala, empresários e outros interessados.


Já em 17 e 26 de Agosto de 2005, respectivamente, em EXPRESSO ÁFRICA e em VERTICAL, na sua edição nº 896 e a propósito da “Plataforma Logística Internacional em África Moçambique – Nacala”, nos havíamos questionado sobre a importância estratégica de Moçambique relativamente aos transportes internacionais de mercadorias. Que país em África e no Mundo faz fronteira com seis países ( Tanzânia, Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, Suazilândia e África do Sul) e tem uma extensa costa de quase 3000 km? E a sua experiência no trânsito de mercadorias com os países vizinhos e as condições técnico operacionais do porto da Beira que permitem levar e trazer mercadorias para e da costa ocidental de África?

Esta Conferência Internacional, evento inédito pela sua natureza e dimensão, vai juntar governantes ao mais alto nível na área dos transportes mundiais, altos dirigentes de administração públicas, administradores, de empresas e de outras organizações ligadas directa ou indirectamente ao sector, de países como Portugal, Espanha, Malta, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, S. Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Timor, África do Sul, Argélia, Marrocos, Líbia e Tunísia. Vai permitir ser um momento “de reflexão e debate aprofundado sobre a situação presente e os desafios que se colocarão, no horizonte dos próximos dez anos, ao Transporte Marítimo e aos Portos.”

Ao longo destes três dias, em Lisboa, teremos a presença de Mário Lino, Ministro dos Transportes e Comunicações de Portugal, António Munguambe, Ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, André Luís Brandão, Ministro dos Transportes de Angola, Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes de Portugal, João Cravinho, Antigo Ministro dos Transportes e Comunicações de Portugal, João Maria de Oliveira Martins, Antigo Ministro dos Transportes e Comunicações de Portugal, Lopo do Nascimento, Presidente do Porto de Cabinda, Manuel Caetano, Presidente da Logistel, Eduardo Martins, Presidente do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, Lídia Sequeira, Presidente da Associação Portuguesa de Portos, Sílvio Barros Vinhas, Presidente da Associação dos Portos de África do Oeste e do Centro, João Carvalho Presidente da Associação de Armadores da Marinha de Comércio, Jorge Costa, Presidente da Associação Portuguesa de Logística, André Henriques, Presidente do Gabinete para o Desenvolvimento do Sistema Logístico Nacional, Manuela Graça, Directora Geral da Logistel, Paulo Pereira, Director Geral Adjunto da Logistel e Secretário Geral da Conferência. Far-se-ão ainda representar os portos de: Nova Iorque, Santos ( Brasil ), Busan ( Coreia ), Roterdão, Durban, La Valetta ( Malta), Barcelona, Aveiro, Douro e Leixões, Setúbal e Sesimbra, e os quatro maiores Armadores Mundiais.

É sabido que Governo de Moçambique no âmbito dos transportes tem vindo a promover a melhoria dos serviços de cabotagem e desenvolvimento da competitividade dos seus portos. Afigura – se - me ser esta mais uma oportunidade, para os promotores da difusão da imagem dos portos moçambicanos no estrangeiro, fazerem jus aquilo que habitualmente é procurado pelos operadores económicos seus utilizadores:

-Operação eficaz, de qualidade, segura e de baixo custo nomercado internacional (sendo a divisa: qualidade, fiabilidade eeficiência);
-Recursos humanos de qualidade;

-Meios de equipamento modernos e em constante actualização/manutenção de acordo com o mercado.

É caso para dizer, ACREDITANDO VENCEM-SE AS ETAPAS!

Augusto Macedo Pinto, antigo Cônsul de Moçambique em Portugal, Advogado, macedopinto@teledata.mz

Friday, March 02, 2007

 

Capital de risco no contexto da agricultura moçambicana

POR Teodósio Bule

É comum considerar-se a agricultura uma actividade económica de alto risco. Por essa razão, a banca comercial tende a não conceder crédito aos agricultores. A solução, dizem alguns intervenientes aqui em Moçambique, seria o capital de risco, um esquema de financiamento no qual o banco ou o Estado assumam parte do risco. Se a actividade é de risco, então o instrumento financeiro deverá ser o capital de risco!

Ora parece-me que há aqui alguma confusão conceptual, sobretudo por causa da referência que se faz ao crédito bancário. Embora o capital de risco esteja associado a investimentos de alto risco, e se registem igualmente sucessos da intervenção pública na introdução da actividade de capital de risco em alguns países, é fundamental não perdermos de vista o conceito na sua génese.

Em poucas palavras, e de uma forma simplificada, na actividade do capital de risco as coisas passam-se assim: por um lado, temos empresas com grandes dificuldades para aceder ao financiamento tradicional para a prossecução dos seus objectivos e, por outro lado, temos dinheiro na posse de indivíduos ou instituições, dinheiro esse reservado para aplicação em participações minoritárias no capital social de empresas com elevado potencial de crescimento e valorização, por um prazo limitado. Findo este prazo, o investidor vende a sua participação, venda essa que se espera seja lucrativa.

Ou seja, se uma empresa beneficia do capital de risco, tal significa que, durante alguns anos, essa empresa beneficia do dinheiro e do profissionalismo de um parceiro que acredita no potencial de crescimento e valorização dessa mesma empresa. O capital de risco não é uma solução de último recurso, é apenas uma alternativa ao financiamento bancário tradicional.

Ao Capital de Risco, interessa sobretudo que a empresa em causa tenha um elevado potencial de crescimento e valorização, mesmo que não tenha uma grande capacidade de solvabilidade. O investidor em capital de risco procura empresas que estejam integradas em sectores de mercado altamente competitivos, e caracterizados pela inovação de produtos, serviços, processos de produção ou distribuição.

O investidor em capital de risco é um profissional, e entra no negócio como detentor de parte do capital da empresa, e é dotado de capacidade no âmbito do desenvolvimento de estratégias de marketing, desenvolvimento do produto, desenvolvimento integrado de soluções para o negócio (desde a administração da empresa até às suas estratégias de distribuição ou comercialização). O investidor profissional traz à empresa uma gestão valorizada pelo rigor e desejo de valorização do negócio, assim como facilidades no acesso à banca tradicional.

O investimento em capital de risco está dependente dos resultados da empresa, está dependente do sucesso da empresa. O risco é total, isto é, se o negócio falhar, o investidor em capital de risco perde tanto quanto o dono original do negócio. O capital de risco não é um empréstimo bancário, portanto.
Não devemos falar, como alguns falam aqui no nosso país, do capital de risco como se este fosse um empréstimo que os bancos deveriam conceder assumindo solidariamente o risco empresarial do devedor. Os bancos não estão no mercado para assumir riscos alheios!

No caso concreto da agricultura moçambicana, o capital de risco será uma alternativa de financiamento quando os investidores em capital de risco forem abordados por empresários inovadores e dinâmicos, atentos à dinâmica dos mercados, e conscientes da posição competitiva da agricultura nacional, no contexto das novas exigências do consumidor dos mercados de maior valor acrescentado do Hemisfério Norte.

De facto, vários estudos concluem que o século XXI se caracteriza por uma crescente procura de produtos e serviços que satisfaçam necessidades básicas, ou seja produtos e serviços providos de valor real, como sejam os produtos naturais, organicamente produzidos. Na Holanda, hoje, são necessários pelo menos dois anos para transformar uma farma convencional em orgânica. Em Moçambique, esse problema simplesmente não se coloca. Somos “orgânicos” por natureza!

Por fim, uma palavra sobre o papel do Estado. O Estado pode introduzir e dinamizar a actividade do capital de risco no nosso país, neste caso com o objectivo de incentivar a inovação na agricultura e nas indústrias relacionadas. Oportunamente, voltarei a este assunto. Fica aqui a ideia de que o Estado moçambicano pode desempenhar um papel determinante no desenvolvimento da agricultura nacional, por via da introdução e dinamização da indústria do capital de risco.

Mais pormenores sobre capital de risco, por favor consulte o sítio virtual da Associação Portuguesa de Capital de Risco e de Desenvolvimento, em http://www.apcri.pt.

Artigo inicialmente publicado no caderno de Economia e Negocios do jornal `noticias`, de 23 de Fevereiro de 2007.


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