Wednesday, July 30, 2014

 

Proposta de Lei da Educação Profissional – uma lei para destruir o emprego?


POR Teodósio Bule

A contribuição mensal para o Fundo Nacional de Educação Profissional, que as empresas deverão passar a fazer, num montante que poderá atingir 1% da respectiva folha de salários, não tem enquadramento num sistema de impostos convencional e moderno. Trata-se, na verdade, de um custo fixo à cabeça, concebido para agravar a situação financeira das empresas, o que terá como consequências, naturalmente, a redução do emprego e do produto. Ora a redução do emprego e do produto é precisamente o contrário daquilo que o legislador espera ver acontecer como consequência da proposta de Lei da Educação Profissional. Por quê, então, o número 1 do artigo 42 sugere uma penosa prestação mensal das empresas?

Nas economias modernas, a característica principal dos impostos é a sua incidência sobre o rendimento ou sobre o consumo ou ainda sobre importações e propriedades do contribuinte. Eles incidem, portanto, sobre um benefício concreto do contribuinte. Esse benefício pode tomar a forma de remunerações do trabalho, consumo de bens e serviços, outros rendimentos das famílias, lucros das empresas, importação de bens, e por aí adiante.

Em nenhuma das situações descritas no parágrafo anterior se enquadra o número 1 do artigo 42 da proposta de Lei da Educação Profissional. Na realidade, com tal proposta passaremos a fazer face, literalmente, a custos laborais associados a trabalhadores que não existem e nunca existirão na nossa empresa. Essa realidade é catastrófica para as empresas individuais numa economia de mercado e, por inerência, para a economia como um todo. A única entidade que pode (?) ter “trabalhadores fantasmas” sem falir é o Estado. Mas mesmo nesse caso, a economia não deixará de ressentir-se, como todos sabemos.

Claramente, o legislador está a ignorar princípios básicos da Economia. Um desses princípios é o seguinte: em algumas circunstâncias, as empresas operam e empregam pessoas mesmo que não estejam a registar lucros. O facto de uma empresa ter trabalhadores e pagar salários, não siginifica necessariamente que ela esteja a obter receitas, quanto mais lucros. Há fases do processo de produção em que as empresas só incorrem em prejuízos, e se esses prejuízos não forem sustentáveis, as empresas acabam fechando. O que é perfeitamente natural. Mas mesmo que fechem, terão, durante algum período, garantido empregos para aqueles que tiverem tido a sorte de estar envolvidos na sua fase experimental.

Mesmo que a empresa já tenha atingido o seu break-even point há muito tempo, condições adversas do mercado podem determinar que ela, durante um determinado período de crise, seja capaz de cobrir apenas os seus custos fixos (trabalho, inclusivê), à espera de melhores dias, mantendo o seu pessoal no emprego e com as respectivas remunerações, como é evidente. Ora acrescentar um custo fixo a tais empresas, só porque elas empregam pessoas, é um castigo perigoso que não se compreende, cujas consequências não serão outras senão a destruição do emprego e, por conseguinte, do produto nacional. Nem é preciso fazer contas complicadas para provar que assim será.

Duas recomendações


Proponho ao legislador, portanto, que considere as seguintes possibilidades:

1.     Abandonar a ideia, optando antes pelo actual modelo de  financiamento do sistema nacional de ensino. A formação dos cidadãos é da responsabilidade directa do Estado. Neste sentido, o Estado até deveria criar incentivos reais para que o sector privado também se dedique cada vez mais à formação profissional. É o país que ganha com a formação dos jovens, não são apenas as empresas que almejam uma mão-de-obra qualificada.

 
2.     Caso o legislador mantenha a opção de onerar as empresas para obter receitas fiscais para financiar o sistema de ensino profissional, nos termos da nova lei, então que o imposto incida sobre aquelas actividades (consumo e venda de bens e serviços) que o Estado identifique como sendo “estéreis” ou nocivas ao desenvolvimento sustentável da economia moçambicana. Repare que mesmo nesta situação, o objecto sobre o qual irá incidir o imposto é algo concreto: alguém estará a consumir alguma coisa (como por exemplo, um espectáculo de hip-hop), ou uma empresa estará a vender alguma coisa concreta (como por exemplo, brinquedos frágeis de plástico e de baixa tecnologia), e nunca um “salário” para um terceiro trabalhador que não acrescenta nada à empresa. Importa notar que para algumas empresas, este terceiro trabalhador poderá representar algumas dezenas deles.
TB

Tuesday, April 30, 2013

 

Os olhos e a coragem de recomeçar


Que a Itália seja ela mesma (como os outros do Sul da Europa). A lição de Genovesi



POR Luigino Bruni

Tradução de Pe António Bacelar

A economia de mercado é uma rede muito densa de interdependências, simultaneamente magnífica e terrível. Em tempos felizes a riqueza de uns torna-se também riqueza dos outros, mas nos momentos de depressão os problemas cruzam-se, ampliam-se e aquelas virtuosas interdependências tornam-se círculos viciosos, onde cada um arrasta o outro para baixo. Os clientes não pagam, os bancos não dão crédito, não se paga aos fornecedores que por sua vez não pagam os próprios débitos e por aí fora. Alimenta-se assim uma vertigem que começa a parecer um tufão que varre fábricas, casas, vidas. Toda a Itália que trabalha – e que não consegue trabalhar – sofre mas é o Sul da Itália (e da Europa) a sofrer mais, já que a crise está a cancelar as tímidas primaveras económicas das duas décadas passadas. Estou convencido que se conseguirmos partir de novo, levantar a cabeça, o centro de gravidade deste novo Renascimento será o Sul, exatamente porque é o que ainda tem muitas potencialidades e talentos por exprimir, mortificados por tantas feridas da história, recente e remota.

Também porque a cultura capitalística vê só as “feridas” das nossas culturas latinas e meridionais, mas não sabe ver as “bênçãos” que, no entanto, aí existem e abundantes. Um Sul que está a conhecer de novo a emigração em massa dos seus melhores jovens, uma emigração por pão e dignidade, como foi a dos nossos avós, um capítulo doloroso que há alguns anos atrás todos pensávamos que pertencesse ao passado. Os diversos “Sul” da Europa têm necessidade de confiança, de estima, de autoestima, de “coragem”, como se exprimia um dos grandes pais da Economia civil italiana e europeia, o napolitano Antonio Genovesi, um autor que nestes tempos deveria ser lido e escutado.

Nas suas Lezioni di Economia civile de 1765 (está para sair uma nova edição da obra), lemos páginas sobre a Itália e sobre o seu Sul, que parecem escritas não ontem, mas amanhã: “Os seus vinhos são o néctar que as melhores mesas bebem: não só as dos ingleses mas também dos franceses, mesmo se soberbos pelos seus Borgonha. … Terras de lã, de linho, de canapé, de toda a espécie de animais; terras de queijos, de maná, etc… terras de grande perspicácia... Só por isto nós deveríamos ter quatro vezes mais dinheiro do que aquilo que tem cada uma destas nações; e cinco por cada unidade de azeite, seis… de vinho, sete… de seda, etc…”.  Pergunta-se então ele e nós com ele: porque é que estes dinheiros não existiam e não existem? “Eu nunca acreditarei que falte a inteligência. Quem nos pode persuadir que os climas temperados geram cérebros mais toscos do que os climas gélidos? Nem sequer que falte a vontade de trabalhar arduamente! É então necessário concluir que falta a coragem e que ela não é bem trabalhada”. A razão desta falta de “coragem” e de boa “fadiga” (trabalho), é clara para Genovesi: “O máximo peso das finanças recaiu sobre as artes e deveria ter como base as terras; e é por isso que as artes foram desencorajadas e abatidas”. Palavras santas: não há futuro para um Estado quando a tributação continua a ”abater” e “desencorajar” as artes, ou seja os artesãos e as empresas, e a favorecer as rendas. Os privilégios atribuídos às rendas são sempre o primeiro indicador dos sistemas económicos e sociais feudais ou neo-feudais como o nosso.


Denunciamo-lo muitas vezes e continuaremos a fazê-lo. Genovesi estava consciente de que aquelas qualidades e aqueles primados da economia e do engenho italianos eram uma alma – não a única e talvez nem sequer a mais evidente – da sua terra e do seu povo; eram sem dúvida virtudes reais mas estavam misturadas com vícios não menos reais, como sempre e como em todo o lado. A tal ponto que após ter elencado todos aqueles méritos e virtudes do seu Reino, sente dever especificar: «Se, por acaso, este artigo for parar às mãos de qualquer estrangeiro, saiba que eu o escrevi em jejum e após ter tomado uma boa dose de laxante». Mas aquela leitura generosa do seu Reino, inspirou as reformas e as revoluções napolitanas, breves mas ainda luminosas e exemplares. O talento civil ou o 'espírito' de um País, dos seus governantes e dos seus intelectuais, está em saber criar um orgulho e uma esperança civil a partir de sinais reais presentes no passado e no hoje e, a partir daí, mostrar um não ainda melhor do que o já e do que já foi. Tirem a um povo esta capacidade e ficarão somente a arte de denegrir, a crítica, o pessimismo, a linguagem grosseira, o rebaixamento reciproco. Para recomeçar, economicamente e civilmente, devemos ser capazes de pôr a render arte, cultura, clima, natureza, história, comida, vinhos, turismo, beleza, dimensões presentes em toda a Itália e na Europa, mas no Sul ainda demasiado pouco valorizadas e, por isso, capazes de futuro. Devemos inventar-nos uma antiga-nova identidade económica e laboral e não o conseguiremos sonhando imitar a Alemanha ou os EUA, mas só criando nova riqueza a partir dos nossos antigos capitais, de que a natureza e o génio dos nossos pais e mães nos dotaram em quantidade e qualidade extraordinárias: «Oh homens aluados que voltais desdenhosamente as costas à natureza enquanto ela vos oferece, com abundância, as suas riquezas – as únicas verdadeiras, duráveis, felizes – para seguir certas fantasias bizarras que não têm corpo, nunca mais despertareis destes vossos sonhos?». Certamente que para recomeçar não bastam estas palavras de Genovesi, nem sequer talvez as de outros filósofos e poetas, mesmo quando sublimes.
Há necessidade de muito mais, sabemo-lo. Mas nos tempos da prova serve-nos também a companhia dos grandes, de quem soube ver mais e de modo diferente nas carnes e no espírito do próprio tempo, procurando com eles fazer o equivalente hoje. Poderemos descobrir e vermos também nós aquele algo de invisível escondido nos tecidos morais e sociais dos nossos povos, das nossas empresas, das nossas comunidades, cheios ainda de recursos, de capitais, de bens, que só esperam ser transformados em trabalho e rendimento. «Estava desesperado. Numa manhã, saí de casa e vi um baraco. Estava ali desde sempre, mas já não o via», contou-me um empresário agrícola.

 
A solução está, quase sempre, à beira da casa, mas, em tempos de prova, já não somos capazes de a ver. Ocorre, então, reaprender a ver os nossos verdadeiros capitais e verdadeiros bens, porque durante as crises a doença mais grave é aquela que turva os olhos da alma e, depois, do intelecto.
http://www.avvenire.it/Commenti/Pagine/occhiecoraggio.aspx

In Avvenire, 28.04.2013

Friday, September 24, 2010

 

O QUE EU ACHO DO FRED JOSSIAS...*

POR Edgar M. A. Barroso

"A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na retaguarda para ver" (Bertrand Russell).

Yah, atire-me pedras quem quiser. Eu não podia ficar sentado em cima do muro, a assobiar para o lado, enquanto um qualquer desses nossos sujeitos de estupidificação televisiva vai me criando cada vez mais náuseas visuais.

Podem até falar mal de mim depois, ou processarem-me por calúnia e difamação, ou simplesmente alegarem o velho cliché do "se não gosta, não assista". Népia. A televisão é pública, o televisor é meu e a análise é pessoal. Verdadeira. Vivo num país democrático, tenho voz própria e sei exercer o meu direito de opinião como mandam os ditames da cidadania efectiva.

Directo ao assunto. Na segunda-feira à noite, num programa televisivo da Record Moçambique, a atracção-mor foi o mediático apresentador de televisão Fred Jossias. Não era para menos. O "filho do povo" acabara de sair da prisão, para onde tinha sido recolhido depois de julgado e condenado à 70 dias de prisão por CRIME de condução sem licensa, em estado de embriaguez e por ter provocado um acidente de viação. Até aqui nada de mais, não fosse ele a tal figura pública que todo o país conhece pelos ecrãs da televisão, particularmente devido à linha editorial do programa que apresenta.

"Só os medíocres mostram sempre o seu melhor" (Hippolyte-Jean Giraudoux).

Não falarei aqui da natureza, substância e relevância do programa que o Fred Jossias apresenta. Não sou muito ligado à torpeza e mediocridade destes tempos, das nossas gentes e dos nossos lugares de coexistência e de convivência. Falarei do que vi e ouvi naquela noite triste. Eu deveria ter estado a ler um livro qualquer ou a ver futebol num outro canal qualquer. Ou mesmo poderia ter estado a dormir. Nada. Fiquei ali, atento da silva, a confirmar mais uma vez o quão vil, tacanha e mesquinha está a tornar-se a sociedade em que vivemos.

Há pessoas (e entidades) capazes de ser tão pequenas, mas tão minúsculas e microscópicas mesmo, que de tanto serem tão nada não conseguem sair do seu próprio umbigo e enxergarem um outro mundo, o real, o mundo para além daquelas 2 ou 3 cameras de televisão que há num estúdio de televisão! Falam das suas mediocridades como se tivessem descoberto sozinhos 4357 poços de petróleo nos mares de Moçambique, mesmo quando o traste de que se gabam de ter feito ou vivido vai dar exactamente na porta da lixeira do Hulene...

Há pessoas (e entidades) deste país que, em pleno século XXI, ainda acreditam (e fazem acreditar) que o seu mundo "televisionado" e a sua arrogante imbecilidade são muito mais importantes que o país inteiro! São tão energúmenas tais pessoas (e "celebridades") que não tem noção da sua insignificância e nem sequer sabem que não sabem nada...

Rotulem-me de bruto, "djelas" ou sei lá o quê. Eu chamo a isto de frontalidade. Este país tem de EXTIRPAR estes cancros todos, aparentemente benignos. Então um tipo bebe todas as cervejas do mundo, mete todo o vazio da sua "estrelice" num carro e, sem licensa de condução, sai que nem o Lewis Hamilton pelas estradas de Maputo. Causa um acidente de viação que teria provocado danos humanos irreparáveis. É preso, julgado e condenado à 70 dias de prisão. Vozes incompreensivelmente solidárias se levantaram, algumas até defendendo a amnistia do "super estrela" pelo reles e ridículo motivo de que "as suas tardes serão vazias sem o puto mais fofo da África Austral"! Aposto que alguns até lhe dedicavam orações (sabe-se muito bem quem e aonde).

70 dias depois, o CRIMINOSO sai dos calabouços e é recebido cá fora como "herói nacional", com direito a Limousine e escolta, para além de palmas e vivas de uma multidão lamentavelmente estúpida e estupidificada. Só faltou mesmo o tapete vermelho e a recepção pelo presidente do município, tudo por ser exemplo e referência primária da mediocridade na sua mais crassa e visível expressão e manifestação!

Não estou contra o Fred. Estou contra todo o sistema atroz e repugnante que cobriu, aclamou e ACARINHOU O CRIMINOSO FRED. Então ele disse numa fingida, pretensiosa e hipócrita humildade que "fiquei 3 anos a conduzir sem carta" e que "matriculei-me numa escola de condução e fiquei 1, 2 dias, no terceiro dia já não fui mais por preguiça"! E todo o mundo ficou indiferente! E ainda veio com um exemplo de vida, afirmando isto: "das vezes que tive outros acidentes do gênero, sempre arranjei maneiras de resolver o problema ali mesmo, com a polícia"!

Quer dizer, um tipo diz CONSCIENTEMENTE sem licensa por 3 anos, que se matriculou numa escola de condução e desistiu ao terceiro dia por PREGUIÇA e que já teve outros acidentes idênticos no passado e que SEMPRE PAGOU à polícia para se livrar... e tudo fica como se nunca tivesse acontecido! Com direito à notícia de abertura de telejornal e com cobertura em directo! Um indivíduo tendencialmente criminoso e reincidente, hipócrita ("bifou" uma vez um certo cantor por situação semelhante), corruptor e, feliz ou INFELIZMENTE, referência para MILHARES DE JOVENS que o assistem todos os dias... tem direito à exclusividade em tempo de antena, programa especial, salamaleques e frases côr-de-rosa como "voltaste muito mais fofo da prisão", "você é um bom gajo", "viva Fred", "continua assim", "eu já estava para morrer de tensão por tua falta"...

Fico "maningue" revoltado quando tratam à um criminoso como se tivesse ganho a final do Mundial dos 800 metros em atletismo, seja lá qual for o crime que tiver cometido ou se sai mais vezes na televisão do que o Presidente da República. Vocês já se deram conta do número de miúdos (e miúdas) que estão a crescer a assistir as PARVOÍCES IRRESPONSÁVEIS do Fred?! Fazem mesmo ideia de quantas crianças (e até jovens de barbas feitas) estão a ser deformadas, formatadas, desinformadas e burrificadas por aquela medíocre marioneta de interesses inconfessáveis e externos ao país que é NOSSO?!

Não igualem um estúpido à um fazedor ou influenciador de opinião, POR FAVOR!

A tolerância de algumas (muitas) pessoas parece-me estar a roçar à cumplicidade. Todo o mundo erra e merece perdão sim. Contudo, elevar a punição de um irresponsável e pintarem-no na televisão de "pobre coitado arrependido" é DEPLORÁVEL, IGNÓBIL E INSULTUOSO! Nenhum prestígio, influência ou mediatismo de qualquer fofo ou seco da África Austral pode ou deve estar acima da VERGONHA NACIONAL que o mesmo incorpora, significa e representa.

Terminarei com Platão: "O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo [fala] porque tem que dizer alguma coisa". Respondendo à questão, sobre o que eu acho do Fred Jossias: um zero muito bem redondo, unicamente diferente dos muitos outros que andam por aqui e por ali e por lá simplesmente porque sai na televisão todos os dias. Famoso porque existem outros zeros pelo país todo que, infelizmente, não tem melhor escolha. Ou outra escolha. Ou até escolhem mesmo quem é parecido com eles. País dos zeros, este.

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*Um amigo mandou-me este texto, pois tem a minha alma, segundo ele.... Tomo por isso a liberdade de o publicar aqui. Obrigado, amigo. De facto identifico-me inteiramente com a análise. É o texto que eu gostaria de ter escrito, sobre o mesmo fenómeno... Aliás, meu filho de 3 anos e meio não vê o programa ‘Atracções’. Invariavelmente, quando começa, ele diz: ‘pai, vou mudar de canal. Não vamos ver Miramar, pai? Fred fala mal putguês, pai?...’Ah!, Como eu sou feliz!!!...

É c

urioso que, à mesma hora, a RTP oferece um programa educativo, excelente para toda a família. Uma experiência que deveríamos absorver e implementar.... A Edgar Barroso, o autor do artigo, endere

ço os meus melhores cumprimentos pelo excelente trabalho. Kanimambo! T. J. Bule


Wednesday, June 09, 2010

 

African Renaissance and Globalization: A Conceptual Analysis


Mais um interessante estudo de José Cossa (vide o link).

Já agora, acho que seria interesante acompanhar a leitura do texto de Cossa com a de um outro José moçambicano,

o Cabaço, uma obra recentemente lançada em Maputo pela editora Marimbique: Moçambique, Identidades, Colonialismo e Libertação.

Aproveito a oportunidade para felicitar os dois autores, pelo excelente trabalho.

T. J. Bule


Tuesday, June 08, 2010

 

Mundial 2010 - uma oportunidade perdida!

POR Teodósio Bule

Já estamos em 2010, e no próximo dia 11 de Junho começa o ‘Mundial de futebol’ na África do Sul. Há precisamente 4 anos escrevi sobre o assunto (vide o link). Ah, como eu detesto ter razão!!!...


Friday, May 28, 2010

 

Senhor Dr, lembre-se das palavras de Keynes!


Um apelo à leitura e responsabilidade pedagógica dos economistas moçambicanos que aparecem em debates públicos – o caso da STV
POR Teodósio Bule


Vi hoje, 29 de Maio de 2010, logo pela manhã, a repetição do debate televisivo semanal da STV, moderado por Olívia Massango, no qual se perdeu, mais uma vez, a oportunidade de esclarecer o conceito de ‘mercado’, algo que talvez nos ajudasse a perceber o papel de cada interveniente no processo de desenvolvimento rural em Moçambique, como me pareceu ser o objectivo do referido debate.

Infelizmente, a disciplina de Marketing – um importante ramo de conhecimento e arte de apoio à Economia – é uma disciplina relativamente nova. Muitos cursos de Economia não a incorporam nos seus planos curriculares. Outros, quando o fazem, não raras vezes a tratam como uma disciplina de opção.

Este facto pode justificar a confusão reinante sobre o conceito de mercado, verificada durante o debate acima mencionado, assim como noutras inúmeras ocasiões. De facto, para se obter o grau de licenciado em Economia nem sempre é obrigatório ter noções de Marketing. Mas isso não nos impede de lembrar o facto de que sempre se espera dum economista bem formado alguma reserva nos nos seus pronunciamentos. Afinal, para o economista, ninguém pode garantir que todos os cisnes sao brancos.... Infelizmente, a qualidade de reserva de opinião é muito rara entre os nossos economistas!... ‘Oligopólio’ no lado da procura?!... valha-me Nossa Senhora! Milho há 3 anos no celeiro do camponês?!... Não seria isso uma excelente notícia? Não acha, caro leitor?

Ora o debate girava em torno do desenvolvimento rural em Moçambique. De um dos membros do painel, com responsabilidades no governo central sobre o assunto, era possível perceber a vontade do Governo reverter o actual estágio de atraso económico e social que caracteriza o meio rural no nosso país. No entanto, e pelo que se percebeu do debate, os conselheiros do Governo não estão à altura dos desafios. Só espero que o governante tenha tirado as devidas conclusões, e tome as necessárias medidas correctivas.

Um segundo membro do painel (não gosto da palavra ‘painelista’!), chegou até a aguçar o meu interesse quando disse que há por aí muito boa gente que fala de mercado, mas ninguém entende de mercado. Mas logo de seguida percebi que o seu conceito de mercado também estava mais relacionado com aquela ideia de um cada vez menor Estado e mais sector privado, ou seja capitalismo. Por acaso é desse conceito que procuramos, mas a forma como o comentador articulou o conceito leva a crer que não há nele um grande entendimento sobre a essência do capitalismo. E do mercado, por conseguinte.

O mesmo comentador chamou atenção também para a falácia do desenvolvimento de infraestruturas rodoviárias como via para o desenvolvimento rural. Neste aspecto eu até posso concordar com ele, mas os seus argumentos parecem ser mais uma leitura desatenta dos factos históricos e económicos do país: Chókwè foi Chókwè, e as coisas funcionaram na altura, tudo bem, mas talvez hoje não tenha mais que ser Chókwè!... Não sei se me faço entender. Continuo na linha do conceito de mercado. Assim como o Bedford voltaria hoje, em pleno século XXI, a calcorrear os caminhos e picadas deste belo e imenso Moçambique, se de facto entendêssemos o verdadeiro conceito de mercado....

Mas logo a seguir um terceiro membro do painel caminhou de forma interessante em direcção ao conceito de mercado, como de facto se pretende modernamente, ao chamar atenção para a necessidade de reequacionarmos o que de facto pode melhorar a vida do camponês moçambicano, admitindo que este pode até estar interessado em produzir, para além daquilo que é habitual, outras culturas que lhe proporcionem maior retorno. Mas ele perdeu-se logo de seguida, ao defender a reabilitação das antigas cantinas rurais, hoje em ruinas, mas que no seu entender poderiam voltar a ser úteis no processo de comercialização agrícola nacional. Ou seja, este comentador também parece não entender muito dos mecanismos de mercado, e parece esquecer factos históricos que ele próprio redigiu sobre a economia de Moçambique!

Assim, concluo que nos falta um pouco de leitura e responsabilidade pedagógica. De qualquer modo, gostei da forma como os ilustres comentadores expuseram as suas ideias, aliás, a maior parte delas muito interessantes. Mas continuo a achar que um orador a debruçar-se sobre economia deve ser ouvido com muita cautela. É bom termos sempre presente Keynes, que assumia que, embora ninguém acredite, Economia é um assunto técnico e muito difícil. Voltarei oportunamente a este assunto.

Friday, October 31, 2008

 

O Poder, por José Cossa




O livro esta disponível nos seguintes endereços:

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Por favor, visite também o blog do autor do livro:

http://mozambicanscholar.blogspot.com/

É Moçambique a subir, como diz o nosso MC...

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