Wednesday, August 02, 2006

 

Cultivando petróleo!


POR Teodosio Bule

A crise no Médio Oriente, com a violência no Líbano, a incerteza no Irão, a destruição no Iraque sem fim à vista, a crescente procura de petróleo para alimentar o “dragão económico” da China, parecem-me razões suficientes para acreditarmos naqueles analistas que afirmam que o preço do petróleo se vai manter a níveis elevados por muito tempo.

O preço do barril de petróleo nos mercados internacionais está actualmente acima dos setenta dólares americanos.

A economia mundial carece de uma energia segura, estável, e sustentável. Está demonstrado que o petróleo não é essa energia. Mas investimentos em combustíveis alternativos que reunam as qualidades desejadas de segurança, estabilidade, e sustentabilidade, como é o caso do chamado combustível verde (biodiesel, etanol), só são viáveis para níveis de preço do petróleo nos mercados internacionais acima dos setenta dólares americanos. Assim calculam alguns economistas sul-africanos, pelo menos no contexto da respectiva economia.

Na África do Sul, a indústria do biocombustível é largamente liderada pelos produtores de cereais, que de há algum tempo a esta parte planeam a implantação de refinarias para a produção de etanol, em diversos pontos do país, para escoamento lucrativo dos seus excedentes de milho, em particular.

O governo de Thabo Mbeki acompanha a evolução nos mercados internacionais do petróleo, isentando de quaisquer encargos fiscais a produção de biodiesel para fins não comerciais, num limite máximo de 25,000 litros por mês. Somente aqueles que quiserem produzir para além deste limite são obrigados a solicitar uma licença de produção de biodiesel.

Milho, jatropha, cana-de-açúcar, copra, mais de 90% de terra ainda por cultivar, mais de 80% da força de trabalho mobilizável, um mercado internacional sedento de combustível, um país vizinho tecnologicamente avançado, são razões suficientes para acreditarmos na prosperidade económica de Moçambique a muito curto prazo, desta feita por via do aumento do rendimento da camada mais vulnerável da população moçambicana, nomeadamente a mulher rural.

É verdade que o preço elevado do petróleo significa elevados custos de produção, particularmente custos de produção agrícola, mas o actual nível do preço do petróleo nos mercados internacionais, também significa que estão reunidas as condições básicas para a emergência de uma indústria com impacto positivo directo e imediato na vida de todos nós. É, pois, a machamba(campo agricola) o futuro energético: da machamba o petróleo!

Artigo inicialmente publicado na minha coluna mensal “RENASCENÇA”, do caderno de Economia&Negócios, do jornal “notícias” (Moçambique), edição de 28 de Julho de 2006.

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SELECÇÃO DE CONSULTORES PELO BANCO MUNDIAL

PEDIDO DE MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE

MOÇAMBIQUE

ESTUDO SOBRE O POTENCIAL PARA A PRODUÇÃO DE BIO-COMBUSTÍVEIS EM MOÇAMBIQUE


SERVIÇOS DE CONSULTORIA

ESMAP TRUST FUND #: 055784


Em nome do Governo de Moçambique, e com fundos da ESMAP e da Embaixada da Itália, o Banco Mundial solicita a manifestação de interesse (EOI) de empresas interessadas em realizar um estudo sobre o potencial para produção de bio-combustível em Moçambique. O objectivo final do estudo é fundamentar as decisões da política do Governo em relação ao sector de bio-combustíveis em Moçambique.

O conceito do estudo foi desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Bio-combustíveis, em parceria com o Banco Mundial e Embaixada Italiana. O Grupo de Trabalho foi estabelecido para apoiar o Ministério da Energia na formulação de uma política para desenvolver o sector de bio-combustíveis em Moçambique e dele fazem parte as instituições chaves do Governo que serão envolvidas juntamente com o Ministério da Energia na formulação e implementação de uma política dos bio-combustíveis, incluíndo: Ministério da Agricultura; Ciência e Tecnologia; Plano e Desenvolvimento; Finanças; Indústria e Comércio.

O estudo Global será dividido em duas fases.


Fase I: Estudo de Viabilidade dos Bio-combustíveis (Avaliação Técnica da Sustentabilidade Económica, Social e Ambiental)

A primeira fase tem quatro objectivos fundamentais:

1.Avaliar o potencial de mercado para bio-combustíveis líquidos (mercados doméstico e de exportação).

2.Identificar produtos principais para a produção de diferentes bio-combustíveis com base numa análise da sustentabilidade económica, social e ambiental de cada produto.

3.Estimar os custos de produzir diferentes bio-combustíveis líquidos em relação ao custo do gasóleo, gasolina, querosene ou LPG com o objectivo de avaliar a competitividade, e sustentabilidade social e ambiental dos bio-combustíveis.

4.Identificar as questões chaves a serem resolvidas para promover um sector competitivo e sustentável dos bio-combustíveis em Moçambique.


Fase II: Desenho de uma Estratégia, Política e Quadro de Regulamentação Nacional para Bio-Combustíveis


Para as culturas e bio-combustíveis seleccionados na Fase I como os candidatos mais prováveis para desenvolvimento em Moçambique, o estudo da Fase II:

1.Elaborará uma proposta da estratégia nacional dos bio-combustíveis (etanol e biodiesel) para Moçambique de modo a cobrir as questões identificadas no ponto anterior.



Texto extraído do jornal “notícias” (Moçambique), edição de segunda-feira, 21 de Agosto de 2006, sua página 9 (dedicada à PUBLICIDADE).
 
Por que nao:)
 
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